sexta-feira, 13 de março de 2020

Uma opinião sobre a CRF1000L Africa Twin após uma viagem de 15.000km por maus caminhos


Death Road - Bolívia

Vou fazer aqui um comentário sobre a Africa Twin e sobre os equipamentos instalados nela, que usei na minha última viagem para a Colômbia, em fevereiro de 2.020. 

Ela é uma CRF1000L, ano 2017, versão STD. São apenas as minhas opiniões, de acordo com meu conhecimento e experiência.

Farei dividido em tópicos, pelas partes da moto:

- Problema com o botão de partida, como já relatei aqui no blog, não tive por que faço a manutenção e impermeabilização dele uma vez ao ano, de forma preventiva.

- Conforto: Para uma pessoa, com malas no banco de trás como eu viajo, é excelente. O banco é bem firme e as pedaleiras estão bem localizadas para não cansarem o joelho. Eu uso um mancal a mais para segurar o guidão, que o eleva em 2,50 cm. Acho que ajuda bastante, principalmente para pilotar em pé. Porém, acredito que para viajar em duas pessoas, sem muitas opções de movimentação (pés na pedaleira de trás ou sentar mais para um dos lado), seja um pouco cansativa. Opinião sobre conforto é muito pessoal. Para o que tenho feito com ela, acho perfeita.

Reserva Nacional de Paracas - Peru

- Motor: Super confiável. Não nega absolutamente nenhuma partida, nas mais diversas condições de temperatura e altitude. Pelo menos no meu caso foi assim. Sei que tem motos que apresentaram problemas em altitude, mas no meu caso, o sistema de injeção se adaptou imediatamente em todos os casos ou, no máximo na próxima partida, ela já estava com marcha lenta e aceleração equilibrados. Achei rápido esse acerto. Claro que em altitude ela perde um pouco de força, como todas as outras, mas nada que seja um problema. Subimos a 5.200 m.s.n.m. para se ter uma ideia.
Uso um filtro K&N nela, mas não acredito que ele tenha sido fator de mais ou menos sucesso nesse caso. Comprei ele apenas por que o original custa caro e ele é lavável. Uso na maioria das motos que tenho.
Andou com todo tipo de gasolina e, tirando um ou outro caso, o consumo (da forma que eu piloto) foi muito bom. Acima do aceitável. Se mantinha 100 ou 120 km/h, ela chegava a fazer 20 km/l. Com ou sem altitude, com ou sem frio. Implacável, sempre igual. Por isso falei que o sistema de injeção, pelo menos no meu caso, foi muito bem.
Achei também a embreagem perfeita para andar tanto na estrada quanto na terra, muito boa e bem dosada.

Death Road - Bolívia 

Cerro Chacaltaya - Bolívia

Bolívia

Cerro Chacaltaya - Bolívia


- Curva de torque: Perfeita para terra e boa para estrada de asfalto. Na cidade acho um pouco alta para a relação que vem nela aqui no Brasil. Fica um pouco longa para sair.

- Controle de tração: Na estrada de terra, com pedras soltas e tudo o mais, achei mais eficiente andar com ela no nível 1 do que desliga-la totalmente. Super eficiente, na minha opinião de amador e na minha tocada. Desliguei quando passava em rios ou lamaçais, mas na estrada de pedras, cascalhos e etc, andava com o nível 1 ligado. Já tive outras motos com controle de tração e não era possível fazer isso. A moto simplesmente não tinha, apesar de vários níveis, um que se adaptaria à “um pouco de perda” de tração.

Peru

- Rodas e Pneus: As rodas são extremamente fortes. Os raios também. Pegamos muita pedra, de forma a não conseguir desviar, elas aguentaram todas as pancadas. Buracos no asfalto, viajamos a noite também, em estradas ruins, então pegando todos os buracos sem preparação, elas suportaram absolutamente sem nenhum amassado ou raio solto.
Usei pneus Heidenau K60 na viagem. Sai com o dianteiro usado (6.000km) e o traseiro novo. 
Pneus são escolhas que faço para cada viagem e nessa preferi este por serem conhecido pneus com muita durabilidade e resistência. E foi o que fizeram. Todas as pancadas que mencionei nas rodas, foram absorvidos por eles. O dianteiro especialmente, achei extremamente resistente. 
Gosto muito do Metzeler Karoo 3, e em outras viagem já usei ele ou ele combinado com outros. Tenho certeza que teria tido vários rasgos nessa viagem e o K60 simplesmente nem percebeu o que aconteceu. Estou falando desse tipo de uso e na minha opinião. Não sou partidário de marcas, nem de moto e nem de nenhuma peça ou acessório ok?

Deserto de Paracas - Peru

- Câmaras de ar: Usei de 4mm, na frente Michelin e atrás Rinaldi. Impecáveis também. Monitoro a pressão dos pneus com sensores garmin e nenhum dos dois teve alteração significativa durante a viagem. Um caso que aconteceu com meu parceiro na viagem que me fez ver a importância das câmaras grossas e acho interessante contar foi que, em certo ponto da viagem, o pneu traseiro da moto dele começou a esvaziar, bem devagar mesmo. Ele estava usando câmaras de 5mm. Uma vez apenas usei o compressor de ar para completar o pneu dele. No mais, o que vazava era tão pouco que não nos preocupava. Ele fez uma troca de pneu durante a viagem e quando desmontaram o pneu, foi encontrado um rasgo na borracha, abaixo do bico de ar (quase na junção com o bico) da câmara traseira. Um rasgo até grande, que numa câmara normal, com certeza teria deixado sair todo o ar rapidamente.

- Rolamentos de roda: Muitos reclamam da qualidade deles mas na minha moto, nesta viagem, eram ainda os originais. Não tive problemas.

- Relação: A relação chegou da viagem ainda boa, sem roletes ou anéis de borracha faltando. Daria ainda para usar por mais alguns quilômetros. Fiz apenas 2 regulagens nela nos 15.000 km da viagem. Única coisa é o barulho. Por ela ter a balança traseira muito grande (ou grossa), a corrente fica pegando no batente dela com o movimento, gerando o barulho. Não chega a ser um problema, mas é barulhenta. Claro que no movimento de sobe e desce brusco da suspensão. No asfalto não se ouve nada. 
Uso spray Motul Factory Line (C4) para lubrificar. Sei que muitos não gostam dele por ser mais “on-road” mas sempre usei ele e sempre tive sucesso. São mais secos e suportam muito mais tempo sujeira mais abrasiva.

Peru

- Freios: Achei muito inteligente o sistema de ABS. Mesmo com a opção de desliga-lo na roda traseira, não usei em nenhum momento. A roda não trava à toa e nem quando não precisa, porém, nas frenagens onde é necessário este recurso, funciona perfeitamente. As pastilhas Nissin tem uma durabilidade acima da média e a frenagem se mantem até o final da vida. As dianteiras chegaram ainda com elemento, são originais e a traseira eu sai com uma EBC nova e levei uma Nissin ½ vida. Acabei por substituir a EBC que acabou com 10.000 km na viagem pela Nissin ½ vida.

- Suspensões: Precisei trocar os retentores dianteiros, logo no 1º terço da viagem, por que estavam “melejando”. Não vazaram de uma vez.
Antes da viagem fiz uma manutenção mas por algum motivo o problema apareceu. Na minha opinião, essas manutenções devem ser feitas em oficinas que são acostumadas com motos de viagem e não de motocross ou enduro, já que o uso é completamente diferente. Mais severo e por muitos dias ao invés de algumas voltas fortes em uma pista ou algumas trilhas. Algo não saiu como o esperado. Mas não tive dificuldades em encontrar retentor de marca conhecida e oficina para fazer o reparo. Inclusive tive a sorte de encontrar uma especializada em motos de viagem, em Lima (Peru), que fez um serviço limpo e de qualidade. A moto andou mais 10.000km, por vias bem mais complexas que na primeira parte da viagem e foi excelente.
A suspensão traseira não fiz manutenção preventiva. Ela não teve problema algum a não ser os barulhos já conhecidos dessa suspensão. Acho ela um pouco “mole” demais. Mas não é problema também para dirigibilidade e nem segurança. Ela faz o serviço.


Com relação à dirigibilidade da moto, ciclística, que não atribuo só a suspensão mas ao conjunto todo, apesar de ser uma moto com aro 21” na frente e suspensões com bastante curso mas pesada, no normal para esse tipo de moto seria a pilotagem ser um pouco “quadrada” ou “8 ou 80” em curvas ou costelas, mas não percebi isso nela. Achei muito eficiente e confortável com centro bem baixo, apesar, claro, do barulho como comento aqui, que faz a corrente e a suspensão traseira (original). Sentia a moto estranha com as Xts, Ténérés e F800GS, mas nela não senti. Senti que ela vai onde eu quero, se inclinando exatamente como quero. Mais uma vez, não canso de dizer, opinião minha, de acordo com minha experiência de amador.

- Baú lateral: Usei o Givi Trakker Outback assimétrico. 48 l de um lado e 37 l de outro. Só posso dizer que são impressionantes. Tirando um barulho no baú de 37 l que atribuí ao parafuso de fixação do suporte que estava um pouco solto, de resto o baú foi implacável. Suportou de tudo. De tombos na terra, lama, rios, até porteira batendo nele. Nem amassados fez. Não entrou uma gota de água. Eu apenas colocaria uma tampa na fechadura, que após dias de sujeira, dificulta a entrada da chave, mas nada que uma graxa de corrente não resolva.

- Bagageiro Traseiro: Comprei um Prisma 3 D e adorei. Na posição certa, já que o bagageiro dessa moto é curto, se colocar por exemplo baú, ele fica com muito peso para fora (para trás) desse bagageiro. A placa traseira da Prisma fica numa posição excelente, distribuindo bem o peso e com vários e bem localizados pontos de amarração.

Entrada da cidade de Turbo - Colômbia

- Suporte para levantar o para-brisas: Comprei um suporte suíço para levantar o para-brisas. Realmente é um item essencial para a estrada, porém, para os caminhos piores, ele não suportou bem. A ideia era subir o para-brisas para o asfalto e descer ele para a terra. Funcionou assim, mas como o suporte é um pouco pesado, na terra ele forçava demais as buchas de borracha e algumas se desmancharam.

Reserva Nacional de Paracas - Peru

A moto é conhecida em toda parte. Vi algumas, de outros países, pela estrada. Ela é só elogios para quem a usa nessas condições. Essa foi a minha impressão ok? Não sou partidário de marcas, como falei acima. Só o que vi durante a viagem.

E nesse ponto, o que achei legal foi o fato de quando precisamos de algum tipo de serviço ou peças, eram relativamente fáceis de encontrar. Algumas peças são as mesmas de outras motos Honda ou de Suzuki, como as pastilhas traseiras por exemplo.

Em resumo, gostei demais da moto e vou ficar com essa por mais um tempo. Com certeza terei outras, se a política de vendas do fabricante permitir (risos).

Andei quase 15.000 km nessa última viagem e a moto está atualmente com quase 40.000 km.

Death Road - Bolivia

Ponte Internacional Rumichaca - Ecuador - Colômbia

Deserto de Paracas - Peru

Reserva Nacional de Paracas - Peru

Deserto de Tatacoa - Colômbia

Death Road - Bolívia

Deserto de Tatacoa - Colômbia

Estrada antiga para o Tatacoa - Colômbia


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